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Ai que estou tão...

por lady magenta, em 14.10.15

 

 

sei lá.

Até podia ter alguma coisa a ver com o filme, mas não tem.

Primeiro porque esta pessoa viu o filme e não achou piada. Adiante.

Vou mudar de vida. Pois é pessoas. Farta de ir em carneiradas, farta sobretudo de trabalhar com pessoas cujo profissionalismo é igual a zero. Não dá. Pelo menos para mim, que acho que nos devemos entregar, ser profissionais, estar por inteiro no mínimo que façamos, como dizia o "tio" Fanocas.

Estou expectante, no entanto, já não tenho idade nem paciência para me deixar iludir.

Foi sem dúvida a entrevista mais longa e atípica que tive. Entrei literalmente a matar. "Olhem, eu tenho mau feitio, sofro de uma gravíssima incontinência verbal, portanto se me querem contratar eu sou assim..." E fui contratada. Na hora! Ainda fiquei na dúvida se não me iriam expulsar do local, ou chamar a segurança para me expulsar! Parece que estas pessoas são tão loucas quanto eu.

De resto, bem, de resto já tive de lidar com os olhares de soslaio dos ainda colegas e patrões, com as conversas à boca pequena, com a curiosidade encapotada de quem quer saber e nada sabe. O costume em pessoas cuja inteligência ficou na barriga das mães. Se querem saber perguntem. No entanto fica o aviso, só respondo se quiser.

E de maneiras que esta vida cá vai andando. Agora melhor.

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publicado às 18:40

Ai a minha vida...

por lady magenta, em 12.09.15

E digam-me pessoas;

há lá coisa mais maravilhosa nesta vida, que andarmos felizes e descontraídos da nossa vida, a "tatarinhar" num local público qualquer, e andar uma criança histérica num berreiro infernal, a "tatarinhar" também?

(e eu como pessoa de excelente coração que sou, dou por mim a pensar, "se os teus paizinhos não te calam NESTE MOMENTO, juro, mas juro pela minha honra, que vou ali comprar fita cola larga e te amordaço!!!")

 

É só de mim que sou uma cabra sem sentimentos por petizes histéricos, ou mais alguém fica tão atacado dos nervos quanto eu ao ouvir crianças histéricas que nem nos deixam ouvir os nossos pensamentos?

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publicado às 15:51

Ai a vida de todos...

por lady magenta, em 11.09.15

(Atenção! PC querido desta vida resolveu escrever sem acentos, pessoas analfabeta funcional como sou, não sei que botão premir para que eles retornem, desculpem lá qualquer coisinha.)

 

Não gosto muito de me envolver em polémicas.

Andar nas redes sociais a espalhar o "fundamentalismo" da linha de pensamento "EU SOU CONTRA A VINDA DE REFUGIADOS PARA O MEU PAIS", e assim uma coisa que me deixa os nervos muito atacados...

 

Ponto 1- Sei que a boa vontade dos nossos caríssimos governantes, não passa de mera estratégia politica. Diria mais, hipocrisia na sua mais pura essência.

Ponto 2- Temos efectivamente de começar por "arrumar" a nossa casa, e depois sim, acolher quem realmente precisa de ajuda. Mas os nossos evidentemente, deveriam estar primeiro.

Ponto 3- Poderia agora começar a desfiar o "rosário" de como fulano ou sicrano, ou ate eu um dia, necessitei de ajuda daqueles a quem pago o ordenado e me negaram, por não ser suficientemente pobre, ou não estar suficientemente andrajosa, ou não preencher os "requisitos" de pobreza impostos...

Ponto 4- Acredito que, como em tudo, naqueles grupos de refugiados, se misturem pessoas boas e pessoas menos boas. Como em todo o lado.

Ponto 5- Nos achamos que são fundamentalistas armados, preparados para nos matar e exterminar tudo e todos. Já pararam para pensar que seguindo certas linhas de pensamento, como por exemplo, "vamos as armas e matamos todos!" estamos a ser exactamente iguais a alguns deles?

Ponto 6- Também acredito que não a dar tudo de mão beijada, que estas pessoas irão conseguir chegar a lado nenhum. Se não tentarmos ensinar, educar, ninguém esta disposto a aprender, seja ideologia, profissão, o que for.

 

Eu deverei andar cá para ver o que esta "novela", ao bom estilo português, vai dar... Quanto muito vai dar muita dor de cabeça, a estes nossos governantes que querem tanto "parecer" bem na fotografia e invariavelmente acabam por "borrar" a pintura toda.

 

 

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publicado às 10:26

O Kempo nesta vida...

por lady magenta, em 28.08.15

  O meu Sensei, Luis Tavarez, pediu para fazermos um vídeo a explicar o que o Kempo trouxe e significa para a nossa vida. Bem, não sou muito boa nestas coisas de vídeos, até porque, para alguém que sofre de uma extrema incontinência verbal, fazer um vídeo significa ter muito trabalho na edição, e muito “piiiiii” à mistura, lol

 

O que vos posso dizer...

  O Kempo entrou na minha vida pela mão dos meus ricos filhos. Primeiro eles, depois o Senhor marido... Ao inicio achava aquilo uma descarga de testosterona, ricos filhos e marido ,ali, largados no meio do Dojo a levarem porradinhas com fartura... Primeiro estranha-se, depois entranha-se... Com o passar do tempo, achei que devia experimentar. Porque não? Apesar das limitações físicas, apesar das dores constantes, apesar do Lúpus... Porque não? Arrisquei e lá fui eu! O primeiro treino acabou comigo, confesso...Descobri músculos que nem sabia que tinha! Ah, pois pessoas... Depois, bem depois foi uma questão de determinação e atitude. Como para tudo na vida. Apesar de ser uma das mais velhas dentro do Dojo, não me considero menos capaz. Pelo contrário. Se eles conseguem, eu também hei-de conseguir! E consigo. Óbvio que há dias em que eles tentam ensinar, e a minha cabeça e corpo teimam em não seguir o ritmo imposto... Se é difícil? É. O Kempo não é para fracos! Experimentem, com o corpo dorido e a coluna cheia de próteses “encher” 50 flexões sem parar...é o desespero. Mas quando temos determinação e atitude, só não faz quem não está disposto a fazer. Além da auto estima ao rubro, o meu corpo mudou. As dores aguentam-se melhor, a cabeça está mais focada. O Kempo é isso tudo e muito mais. Para mim não é apenas uma arte marcial. É um estilo de vida, é o respeito ao próximo, é a superação.

Foco, força e fé.

 

Aos meus colegas, e ao Sensei, só tenho a agradecer por tudo, e pedir paciência...Não aprendo ao ritmo deles, mas vou chegar onde eles chegam...

 

Para os que ficaram curiosos, e queiram ver o que é o Kempo, estamos às 3ªs e 5ªs entre as 19:15h e as 21h. Na Avª Cidade de Luanda nº35, 1800 Olivais Sul, Lisboa. Apareçam e mudem a vossa vida!

OSS

 

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publicado às 12:54

Esta pessoa,

por lady magenta, em 30.07.15

 

odeia despedidas.

Sejam elas porque motivo for.

Umas mais emotivas, outras nem por isso.

Por vezes é bom despedirmo-nos do que não nos faz bem, por este ou outro motivo, mas não é dessas despedidas que falo. Falo daquelas que nos tocam a alma, por sabermos que o que era, nunca mais vai tornar a ser. Essas são as despedidas tramadas. Aquelas em que mesmo que digamos, "Até já pá!", nos deixam os olhos marejados de lágrimas. Mesmo que isso signifique que, a pessoa de quem nos despedimos, está a seguir em frente. 

(Mesmo, mesmo, acho que é pelo facto de saber que fui a alavanca impulsionadora do tal "seguir em frente", estou orgulhosa claro, muito orgulhosa de ver esta pessoa, sem medo a correr atrás de um sonho...Mas fico com pena de o deixar ir...) 

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publicado às 20:01

Ai as mulheres...

por lady magenta, em 26.07.15

Como alguém disse, "As mulheres são fáceis de entender. Como um livro de física quântica em mandarim!". Desculpem, mas por vezes tenho de concordar. Algumas de nós, temos um raciocínio lógico, tão pessoal, que está entranhado no ADN de cada uma, e por mais que tentemos explicar, não dá. É só para nós, e só nós temos a solução para tal enigma!

Nem sempre as relações correm bem. Normalmente tendo a não julgar. Se algo está mal entre duas pessoas, são ambas culpadas. E não me venham com a teoria que há homens ruins, também há mulheres. Por vezes bem piores que os tais homens ruins.

O que ainda não consegui entender, foi porque aguentam. E além de aguentarem, ainda se expõem ao ridículo de, quando descobrem, por exemplo, a traição do companheiro, perguntarem a pessoas muito próximas, se soubessem quem era a "traidora" contavam.

Oh "migas", então mas está claro que não! (desde que, obviamente, a coisa não entrasse em conflito com os valores morais que acho que ainda possuo...descutivel este "urgumento", portanto...)

Hoje tive o desprazer de assistir em primeira fila a uma cena tão, mas tão deprimente... Até que ponto somos capazes de baixar a fasquia do nosso amor próprio...

Estava com alguém, que sabe à mais de um ano, que o companheiro a trai. Como se não bastasse, continuam a comungar e a partilhar um tecto e paredes(WTF???), pois.

Já dei a minha opinião, um Zilhão de vezes, porque ma pediram. (Normalmente neste tipo de assuntos, guardo para mim.)

E a bela da "gaiata" sai-se com a pérola, "Se soubesses quem era não me contavas?"

Oh "môr", pois está claro que não!

Então mas agora eu lá tenho ar de arauto da desgraça?

E ainda ficou ofendida por dizer isto.

Sabem que mais, uma mulher ressabiada é 1.000.000 de vezes pior que uma guerra nuclear. Descemos o pé ao chinelo, vamos de mão na anca, queremos sangue, muito sangue a escorrer pela valeta. Só nos esquecemos do mais importante. Pesar tudo muito bem pesado, e tentar perceber porque correu mal. E não venham daí dizer, "Ah e tal ele traiu  e mais não sei quê!"

Sim traiu. É culpado.

É um canalha.

Sim, provavelmente.

Deveria ter-se comportado como um adulto e conversar com a companheira, expor o que "amargurava" o seu "coração", (e sexo quiçá!), sem dúvida nenhuma!

Mas daí até a "moça" andar a fazer perseguições, armada em inspector Gadget a tentar "hackear" os telefones do Sr. e o PC...Give me a break...

Cheguei à conclusão que, o que nos falta nas relações não é amor, não é sexo do bom, não é companheirismo...

É tão somente, COMUNICAÇÃO.

E eu tenho para mim, que certos problemas dos outros, me deixam os nervos muito atacados...

 

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publicado às 16:07

Sinto-me...

por lady magenta, em 25.07.15

 

um Espécie em vias de extinção, quando entro no balneário do ginásio, cumprimento as pessoas presentes e ABSOLUTAMENTE ninguém responde.

Será de mim, ou será das pessoas?

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publicado às 14:16

As cenas desta vida...(Parte I)

por lady magenta, em 24.07.15

 

Let's begin!

(Ou coisas chatas que ninguém lê, mas que é sempre bom "botar cá para fora"...)

 

Esta pessoa foi operada, again, diz que tinha um tumor num ovário, vejam bem com tanto corpo para crescer e o magano logo tinha de crescer ali! Descoberto por mero acaso, já que a intenção era acabar duma vez por todas com as tubagens desobstruídas, e obstrui-las, claro está... Foi a tempo que o vimos. (Pela conversa da equipa fatalista, se tivesse esperado mais uns meses, como era minha intenção, por esta altura já cá não andaria...)

Sou uma sortuda eu sei.

Só que não.

Depois de tanta provação, lá vem a merda da vida brincar com uma pessoa. "Ah e tal...Achas que já chega de cabelos brancos e dores no ? Então toma lá mais umas quantas razões para virares a noite em branco!" The story of my life...

Mas foi divertido, juro. Foi a única vez que dei conta de entrar num bloco, acordada, pelo meu pé, a brincar e a contar piadas como se estivéssemos na esplanada, acho que a equipa estava solidária comigo, "Ah e tal, vamos abrir esta barriga...E depois logo se vê..." 

Afinal o que encontraram, foi exactamente o que estavam à espera. Um tumor encapsulado, o fofo, qual bomba relógio à espera de acordar e explodir comigo! Só que não.

Olha 'ca porra! Então não me bastava as doenças dos outros, e agora ainda tinha eu que ficar doente? Isso é que era bom! Não, não , não... Quero mais é que esse tumor armado em tumor se escafeda da minha vida para fora! E foi o que ele fez!

Claro está, que nunca tinha feito tanta análise seguida, ecografia, e tanto medicamento junto. Isto tudo durante os próximos 5 anos. Vá, 4 anos e meio, que meio ano já passou...Sem sobressaltos.

Ah e claro... Um dos pontos que levei, bem nas profundezas do umbigo, ainda cá mora para contar a história! (Obviamente que não esperava outra coisa! Ou queriam que fosse tudo fácil?)

 

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publicado às 21:33

Ai esta vida...

por lady magenta, em 21.07.15

 

 

Então mas esta pessoa esqueceu-se que tem um blog?

Cet pas possible!!!!

E nestes meses de interregno, têm sido tantas as aventuras, mas tantas, que acho que até ao final do ano não vos ponho a par!

Portanto pessoas, vamos lá ver se é desta, boa?

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publicado às 22:05

Ai a vida do rico filho mais velho...

por lady magenta, em 13.02.15

 

 

Coragem, coragem, coragem... É a palavra que não me sai da cabeça há uma semana. Nem sei como falar sobre isto por isso vou enrolar até sair algo... Duma coisa eu sei, sei que tudo o que ficará para trás, o que ficará connosco e na nossa memória serão as coisas boas como por exemplo as alturas que refilavas com a TV a dizer que não ias para a China ou quando nos davas umas palmadas nas mãos quando estavas chateada connosco. Uma coisa te garanto avó, partiste apenas fisicamente. Continuas bem presente em todos nós e na nossa mente.
  Adiante... 2 anos e meio. Sim, 2 anos e meio é quanto tempo já vivo sem ti. Depois de cerca de ano e meio... epa, nem quero falar. Apenas sei que partiste há 2 anos e meio e ainda hoje as minhas noites se resumem a ti. Oh pai... a falta que tu me fazes... Sabes aquelas alturas que te dava uma vontade enorme de explodir e mandar tudo e todos passear? Aquelas alturas que até atiravas com os telemóveis contra a parede (hahaha)?? Pois, é em alturas como essas que me fazes falta, alturas que a minha única vontade é de fazer da parede um saco de boxe. Continuo ainda hoje a dizer que foi tão, mas tão injusto... Injusto, cedo demais... tanta coisa! A verdade é que não merecias. Aliás, nem tu nem ninguém, mas tu, uma pessoa tão humana, tão doce... oh pai... no outro dia sonhei que tudo não passava dum sonho (ironia do destino ham...), de repente acordei e adivinha lá... para meu espanto, claramente... era tudo um sonho, apenas não aquilo que eu queria que não passasse dum sonho. Voltando ao porquê de te estar a falar, talvez pela última vez sabes pai... Por incrível que possa parecer, acho que esta será a última vez que irei escrever para ti. Ou pelo menos a última que irei divulgar a alguém, porque começa a chegar a uma altura que a nossa "relação" é apenas nossa e eu sinto que as pessoas não compreendem que eu não estou sequer a brincar quando eu digo que te dou os bons dias, as boas noites, que falo contigo nos momentos de aperto e desespero, que falo contigo nos momentos de felicidade, que chamo por ti quando sinto a tua falta, que te agradeço quando as coisas correm como quero. Começo a achar que as pessoas julgam que eu sou maluco, mas afinal de contas, o quão são posso eu ser mentalmente? Uma vez li algures que o que nos faz viver é a nossa insanidade mental. Que sem ela, seríamos todos uma espécie de robôs em que todos seguiamos as regras que nos eram impostas e seriamos todos iguais na maneira de ser e nos sentimentos. Ou seja, a nossa insanidade mental era o que nos fazia diferentes dos outros, o que nos fazia arriscar nos momentos da vida, o que nos fazia viver cada dia como se fosse o último. Mas sim, é isto pai, é a última vez que irei falar para ti "publicamente". Sabes que a avó Laura partiu... quer dizer, claro que sabes pai, ela provavelmente já deve estar a teu lado, já devem de estar todos felizes por se reverem. O que me custou mais, foi que nos 2 anos e meio que passaram desde a tua morte até à dela, nunca ninguém foi capaz de lhe contar que tinhas partido. Tu, tu eras o seu neto querido pai, eras o mais velho e podendo ou não parecer, eras o que ela mais se orgulhava. Sabes que mais, sinto que muita, muita coisa ficou por dizer, tanto entre nós os 2, como entre vocês os 2... Aliás, acho que nunca ninguém diz tudo o que lhe vai na alma aos que ama. Acho que sempre que alguém parte, fica sempre algo por dizer, algo por fazer. Mas caramba, entre nós foi demasiado que ficou por fazer e dizer... Eu sei que uma vez tu disseste à mãe o orgulho enorme que tinhas em mim, mas sabes o que dói? Dói-me nunca me teres dito a mim. Dói-me ainda mais eu nunca te ter dito que apesar de tudo o que foi a tua vida, tu eras, és e sempre serás o meu orgulho, o meu exemplo, o meu ídolo... Nunca te disse que te amava sabes? Pelo menos numa conversa entre nós, mas acredito que saibas que na última vez que te vi com vida, dormias que nem um anjinho. E foram as palavras que proferi aos teus ouvidos, "Amo-te tanto, mas tanto pai." e além disso sei que também sabes da carta que te li no teu funeral. No teu pseudo funeral que eu pedi que todos me deixassem a sós contigo e ninguém teve a dignidade de respeitar o meu último desejo, de respeitar os nossos últimos 2 minutos. E que raiva que eu guardo de toda a gente por isso. Mas maior que toda a raiva que eu possa ter acumulada dentro de mim, a promessa que te fiz é superior. Lembras-te? "Prometo que vou entrar na linha e vou ser o rapaz que sempre quiseste que eu fosse pai." Eu lembro-me. Lembro-me dela todos os dias, em todos os momentos de raiva e angústia, em todos os momentos que me apetece... lançar um punho bem cerrado aos dentes de alguém compreendes pai? Já lá vai algum tempo sem te escrever... e acredita que não é por falta de pensamento, falta de vontade ou falta de algo por dizer, é mesmo falta de coragem... Principalmente depois da última semana. Sabes que... sabes que eu sinto que a última semana foi o final do capítulo que durou quase 4 anos. É o final do capítulo que começou com aquele telefonema que a avó disse que tinhas um tumor. Sabe bem, mas ao mesmo tempo que sabe bem saber que terminou, custa. Custa porque... porque é algo que não se esquece, que nos acompanha para sempre. Nem todos sentem as coisas da mesma maneira não é? A verdade é que na 6ª feira passada, entrei na tal salinha, vi a avó, dei 1 murro na parede e vim-me embora. Não me orgulho, pelo contrário, mas foi o que senti na altura e tinha de descarregar de alguma maneira pai... Desculpa, sei que não foi a coisa mais acertada a fazer. Epa, nem sei o que dizer, sinto que já estou aqui a enrolar tanto, mas tanto, que já nem digo nada de jeito. Apenas sei que, CORAGEM pai, foi preciso muita, muita coragem para viveres a vida como viveste, é preciso ainda mais coragem para viver a vida SEM TI. E acredita, que não é nada fácil, não é. Só queria que soubesses isso. Ficou muita coisa para dizer, muita coisa para fazer, mas eu passo isso tudo à frente e simplifico, faço o resumo. Amo-te, és o meu ídolo, o meu orgulho, o meu herói sem capa. Simples. Simples e rápido de se escrever, foi tão, mas tão difícil de dizer cara a cara. E por isso nunca me irei perdoar. Sei que talvez tu me perdoes, mas sabes o quão exigente eu sou comigo próprio. Também sei que sabes o quanto odeio despedidas. Mas acho que está na hora pai. Foram 2 anos e meio a pedir e a julgar que tudo era um sonho e que mais dia menos dia ia acordar. Mas não, a verdade dua e crua é que é tudo real, não é um sonho, e que estes 2 anos e meio são apenas o início de muitos anos até ao nosso reencontro. É como já referi antes pai, esta é a nossa despedida "em público". A partir de agora, passarão só a ser as nossas conversas, os nossos bons dias, as nossas boas noites. Não estou a dizer que te vou esquecer, pelo contrário! No passado domingo quando entrei em casa e senti o cheiro a tabaco por causa de todos os fumadores compulsivos que cá estiveram, bem, nem te digo nada. A primeira coisa que me passou pela cabeça foi que tinhas voltado, porque é algo que eu te associo. Mas não. Uma vez mais, ficou muito por dizer e fazer. Mas já disse o importante e o resto fica entre nós, para partilharmos daqui por muito, muito tempo. Está na hora pai. Está na hora de poder iniciar um novo capítulo e poder seguir em frente. Está na hora de me desprender e de ser feliz, tal como tu querias que eu fosse que eu bem sei, ou julgas que eu não sei que a tua prioridade era a felicidade do "teu menino"? Eu sei pai, eu sei... E é assim que eu fecho o capítulo mais duro da minha vida até agora pai. Não com um adeus, nem com esquecimento, nada disso, porque o que aconteceu marcou-me. Marcou-me de tal forma que se existe alguém com a capacidade de ver as feridas abertas da alma de uma pessoa... acho que seria capaz de ver algumas bem abertas e bem profundas... despeço-me então com a saudade imensa que há em mim e com um "Amo-te pai, até já."

 

- por Rui Monteiro, publicado no Facebook e copiado para o Blog da sua mãe querida.

 

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publicado às 17:25


Porque nem tudo o que luz é ouro e nem tudo o que brilha é prata...

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