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O "câncaro", o meu pai e eu...

por lady magenta, em 01.02.12

(imagem retirada da net)

 

Não...A esperança já não mora aqui.

...

Dia de mais uma consulta de oncologia. Dia em que a Dra. me pegou no braço e me fez deixar-te sair da sala para me dizer, que do ponto de vista clínico, não se pode fazer mais nada, a não ser controlar os sintomas e deixar a natureza seguir o seu caminho, ou seja, deixar-te partir pai...

Não, não estou preparada, mesmo sabendo que vais morrer. O guerreiro que há em ti, não é suficientemente forte para combater esse cabrão desse cancro fulminante que te devora todos os dias...

E não, não estou preparada para te ver morrer. Acho que nenhum filho que se preze está.

Não devia ser assim pai. Tu devias morrer, mas velhinho e sem doenças tão escabrosas... Ver-te definhar a cada minuto que passa é muito mais doloroso, do que encontrar-te morto devido a um ataque fulminante do que quer que seja...

Queria dizer que sim a tudo, que estou preparada para isto, que tem sido doloroso mas fácil acompanhar o teu dia-a-dia, que deixar-te morrer não custa nada.

Custa. Muito.

Hoje supliquei a uma amiga que não me deixe só quando partires. Expliquei-lhe o que a Dra. me disse e, ela que é sempre tão animadora e optimista, só me disse que não me preocupa-se, jamais sairia do meu lado...

A única coisa que ainda me atrevo a pedir pai, é que faças o favor, de quando tiveres de partir, seja em paz e que de preferência, eu não esteja por perto...

Já é muito mais que mau, ver-te assim portanto se não for de um grande incómodo, que não te atrevas a morrer comigo do teu lado! Já basta o trauma de te ver pele e osso, amarelo, magro quase cadavérico...Não me faças isso pai...

Não peço a Deus, porque não acredito na sua existência...Se ele existisse, de certeza que não existiria uma forma de morrer tão horrenda.

A minha opinião vale, pelo que vale...Mas acredito que para morrer, não é preciso sofrer tanto...

Ai pai...Não imagino a minha vida sem ti, mas também não te imagino a sofrer muito mais...

Segundo a Dra. o fim aproxima-se a passos largos.

Só podemos esperar que seja breve e indolor.

...

E ficamos aqui, como espectadores anónimos enquanto definhas para um mal tão asqueroso...

Nenhum guerreiro aguenta uma tão dura batalha, mas enquanto lutares estarei do teu lado incondicionalmente...

Mais um dia pai e um dia de cada vez...

 

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publicado às 19:43


2 comentários

De blogando-me1 a 02.02.2012 às 16:09


Tenho passado, lido, mas a coragem para comentar vai-se.... hoje depois de ler decidi comentar. Já passei pelo mesmo, já senti a dor de perder não um, mas aqueles que eu considerava os meus pais, primeiro o meu avô, com um ataque fulminante e acredita que mesmo sabendo que ele não sofreu, ainda hoje passados 19 anos, dói como se tivesse sido ontem, pois nunca estamos preparados para ver partir aqueles que amamos, seja de repente, ou vendo-os definhar de dia para dia com esta maldita doença. Depois o meu pai, com cancro nos intestinos e que durou cerca de dois anos. Ainda hoje tenho as palavras de uma amiga enfermeira que me disse " és adulta, não te vou esconder nada, quanto mais cedo souberes, melhor te preparas.... Nunca estamos preparados, por muito que queiramos, para os ver partir. Depois de tudo passar e mais a frio pensei que estava a ser egoista, eu não queria que ele partisse, mas o sofrimento dele era atroz.... partiu em paz....
Apoia-te em todos os amigos que possas e tenta minimizar um pouco a dor, custa, eu sei mas pensa também um bocadinho no teu pai e se por acaso ele partir e tu estiveres da beira dele, não te martirizes.... é a dor que eu carrego é saber que eles partiram e eu não estava lá.... Força e coragem...

Bjs fofos

De lady magenta a 02.02.2012 às 20:03

Obrigada...
; )

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