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Ai a minha vida...

por lady magenta, em 24.06.12

 

 

Cá andamos.

Nesta vida que se vive como se pode...

...

À precisamente 292 dias que sei o que é esta vida com um "câncaro" mau... À 292 dias começou o martírio que é passar por isto sem o merecer. Nem nós, nem ele.

A esta altura começaram as cobranças, a chantagem emocional...

Não sabemos mais para onde nos virar... Todos sofremos com uma situação que ninguém criou, da qual ninguém tem culpa.

É como viver na pele de " O Estrangeiro" de Albert Camus...Ser condenado por um crime que não se comete. Neste caso, "ganhar" a lotaria das doenças más e, sair-nos o primeiro prémio...

Se pagamos em vida, pelas atitudes menos boas que temos, vivemos o inferno na terra...Depois disto só pode vir sol e céu azul.

Merecemos sofrer? Passar por isto? Com que finalidade? Que bem maior advirá desta situação? Eu hei-de chegar a alguma conclusão, pois sei que todo o fim é o inicio de algo...

Pelo caminho ficam pedaços de nós...Coisas que nos amargam a boca e toldam o coração.

Pelo caminho ficamos nós...

Um caminho que não escolhemos, mas que nos obriga a percorre-lo.

Cada dia nos custa mais viver esta vida...Cada dia nos custa mais ouvir o que temos de ouvir...

Enfim.

Um dia o fim há-de chegar e, com esse fim, um novo inicio se dará.

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publicado às 20:19


2 comentários

De Clísteres e Pulgas a 26.06.2012 às 17:10

copo de vinho na mão - ok; taça batatas fritas - ok; 2 pacotes legumes congelados para usar nos joelhos (lesões) - ok; 2 almofadas para as costas e portátil- ok.
Life sucks! Sometimes... Posto isto, lembro-me que, quando escrevi o comentário anterior, acho eu, veio-me à cabeça o Camus, nomeadamente, Le Malentendu (gosto de saber que o tens, o camus, em conta!). Nesta peça de teatro escrita por Camus, falamos de uma tragédia moderna - 2 mulheres, mãe e filha, têm uma estalagem e roubam/assassinam os seus clientes para fazer "fortuna". Certo dia, o filho/irmão que há 20 anos atrás partira para fazer fortuna, volta para ajudar a mãe e a irmã, para ser feliz com elas e fazê-las felizes. Já um homem de família, nunca esquecera a importância de tomar conta dos seus. Quer pertencer a algo, a alguém, ter uma pátria. Quando chega, não é reconhecido pelas suas familiares e decide permanecer anónimo, para observar o que as faz felizes. Camus, o desfecho não é idílico. Digamos que é tratado como 1 cliente normal. Como boa tragédia que é, ninguém se safa!

Moral da história? Esqueçam a moral. Gosto desta parte, fala a mulher de Jan, o filho, angustiada com esta vontade do marido:

Non, les hommes ne savent jamais comment aimer. Rien ne les contente. Tout ce qu'ils savent, c'est rêver, imaginer de noveaux devoirs, chercher de noveaux pays et de nouvelles demeures. Tandis que nous, nous savons qu'il faut se dépêcher d'aimer, partager le même lit, se donner la main, craindre l'absence. Quand on aime, on ne rêve a rien."

Maria, acha que Jan vai à procura da mãe não por amor, mas por solidão, por estar à procura de dar sentido à sua vida quando esta já tem sentido. Também ele, em parte, pensa assim, pois diz que, é justamente por ele já ser feliz, que procura a mãe e irmã para lhes dar felicidade.

O q é q isto tem a ver com o que tu sentes ou com o q passas? Não sei, minha querida. Eu, revejo-me nisto: uma família numerosa, dúzia e meia de irmãos...e falo com 1 e "meio". Ninguém me "conheceu" durante os anos que vivemos juntos, ninguém me "reconhece" hoje em dia. E eu, não quero ser reconhecida por ninguém. Quero que me toquem, que me façam sentir viva, que me transmitam sensações, que partilhem sentimentos comigo, que me dêem alegria e, consequentemente, tragam alguma mágoa. O amor não é lindo, a vida é dura, é madrasta. Corta, fere,pisa-nos os calcanhares. Talvez daí o Malentendu, dá muitas voltas a vida...

Eu sou, tu és, ele é humano. Dão-nos tanto trabalho, chateiam-nos, refilam connosco, são picuinhas; sabem que lhes pregaram uma partida de mau gosto, sentem o gosto da partida. A "partida" até pode estar distante, mas sentem que estão a jogar à roleta russa com as suas vidas. E nós, agimos como jogadores de poker - aprendemos a ler o jogo, a contar cartas, a ver e fazer bluff. De repente, somos mães outra vez. Medimos as nossas palavras, engolimos outras, mas, now and then, falamos um pouco mais claro, menos suave. Há alturas para tudo. Não contes os dias. Cada dia que passa, se for bom, pensa na dádiva que tens, de olhar para ele mais uma vez. Se os dias forem maus, os dele, pensa que já passou mais um e os outros, tal como este, passarão. Sentes-te em "supenso", a tua vida está pendurada por um fio, um elástico que estica e estica... um destes dias, o elástico parte. E tu, viras uma página que, afinal, era um livro. E, como uma "modelo de passerele", aprendes a andar com o livro na cabeça sem este cair no chão. E, do nada,as respostas virão. Mas não para ti. Para os outros. Aquilo q não conseguiste entender e perceber, vais passar a explicá-lo com uma tal clareza aos outros que, vais perceber que não havia nenhuma "moral da história", mas que, do nada, te tornaste um pilar da história. Serás uma sobrevivente. O teu papel? Ser um pilar na vida dos outros. É uma vitória meio agridoce. Herói condecorado? Q se lixem as medalhas. Contudo, vais sentir 1 caos calmo. É caos, mas é calmo. 5110 dias. Não "vejo" a minha mãe desde então. O que aprendi? Carpe diem,to love and be loved. Viver o dia de hoje e, o dia de amanhã, quando este se tornar hoje.

De lady magenta a 30.06.2012 às 14:06

Sim, tenho o Sr. Camus em grande conta...; )
E sim tens razão...Contar os dias para quê se os temos mesmo de viver, apesar de a nossa vontade ser fugir sem olhar para trás?

 

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