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O "câncaro", essa doença malvada...

por lady magenta, em 26.10.12

 

 

Pois é, eu sei que ando afastada...

Não dou noticias, não digo nada...Mas os silêncios também têm muito para ouvir, logo, se estou calada, imaginem o que grito....

Ninguém ouve, porque esta dor não é para ser partilhada, é só minha. Por vezes, permito-me emprestá-la a alguém, por vezes...Não posso andar sempre a massacrar as pessoas que me têm ajudado.

...

Na quarta-feira foi dia de mais uma consulta. Acabámos por ficar doze horas no hospital...Repor líquidos e potássio...Nada mais.

Nos últimos dias não descemos degraus, descemos uma rampa enorme.

O médico resolveu chamar-nos e dizer que o fígado já está completamente destruído, por isso a fase terminal está...No fim.

Na próxima crise grave, só podemos ficar a dar a mão ao meu pai e temos de o deixar partir...

Porquê?...

O que sinto deve ser algo parecido com, uma mão gigante que me rasga as entranhas e me arranca o coração...

Não me sinto nada. Não somos nada.

Esta maldita doença, transforma-nos a vida, muda-nos a alma...

O meu pai está mesmo a morrer...E não há nada, nem ninguém que possa fazer seja o que for.

...

Chorei tanto na porta do hospital, pessoas...Sentada no chão, à chuva...

Sim, nós tínhamos consciência de que este seria o desfecho inevitável, mas uma coisa é pensar neste momento, outra coisa é saber que ele está ali...Ao virar de cada minuto.

Nunca me senti tão esmagada pela impotência da vida, como agora.

Porra, eu perdi três filhos, eu acabei de perder um amigo...Mas isto, pessoas, isto é quase irreal...É como se a vida se torna-se finalmente real, e tudo o que andei a viver até agora fosse um filme....

Enfim pessoas...

Sinto-me realmente parte de algo que me transcende, que é tão maior que eu, que mesmo munida de todas as forças que tinha, e as outras que fui aprendendo a usar, e que vieram sabe-se lá de onde, mesmo assim, a impotência face a esta loucura toda, engoliu-me...Não sei onde ando, o que faço, o que penso...

Sinto o peso da enormidade da vida, na insignificância do meu Ser...

E não é fácil vestir esta minha pele.

O meu pai está a morrer, mesmo...E eu acho que ainda não acredito no que nos foi acontecer...Ninguém merece perder um bom amigo, pai de um filho maravilhoso, e o seu próprio pai...Mas acontece pessoas, às mãos de uma doença tão má e terrivel, que é como ter o inferno na terra.

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publicado às 21:09


7 comentários

De M a 27.10.2012 às 16:11

Minha querida, nestas alturas as palavras não nos aliviam a dor. Por isso, quero que saiba que estou aqui disponível para, se quiser falar ou para ficar em silêncio mas falar com a alma.
Um beijinho muito grande e um abraço apertado
Maria

De lady magenta a 12.11.2012 às 18:16


Obrigada Maria, pelo apoio...; )

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