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O luto e nós...

por lady magenta, em 18.12.12

 

 

Depois de alguma "celeuma", provocada pelo facto de dizer publicamente que tenho as cinzas do meu pai em casa, tenho a dizer;

- Pessoas, julguem como quiserem...Prefiro ter o meu pai em casa do que numa cova, tapada com terra, e exposta aos elementos...Chuva, frio, calor.

- Não que ele não esteja morto na mesma, mas ao menos em casa, temos o consolo de o ter perto de nós, sempre...

- Não é mórbido, tantas culturas por esse mundo fora praticam a arte de celebrar as vidas dos entes queridos, tendo-os perto de si...

- No rio Ganges, deitam-se cinzas de pessoas e nadam outras mesmo ao lado, afinal qualquer local é sagrado, desde que o queiramos assim...

- Um cemitério é considerado solo sagrado, pelos que têm fé e crença nisso mesmo, para nós, a nossa casa é tão sagrada quanto o tal "solo sacramentado"...

- O meu pai está em paz, sei-o com tanta certeza como sei que estou viva, e não é por tê-lo em casa que o estamos a desrespeitar, pelo contrário, a sua vida será sempre celebrada pelos que o amam...

 

E para finalizar só tenho a dizer, o luto de cada um de nós é pessoal e intransmissível...Não ando pelas ruas a chorar, não demonstro publicamente o que me vai realmente na alma, guardo para mim...O luto é isso mesmo. Não é por vestir luto dos pés à cabeça que sofro mais ou menos...

E ainda, acho que o preconceito gerado em torno do facto de querermos preservar os que amamos, mesmo em cinzas, junto de nós, ideias "quadradas" de mentes que não conseguem ir mais além...

Esta história está para mim, como o facto de tirar a mama de fora em público para amamentar um bebé...O mal, ou maldade, está nos olhos de quem vê, ou de quem não quer ver o que está para lá de....

E com isto, encerro um dia penoso e difícil...

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publicado às 21:35


5 comentários

De M a 19.12.2012 às 01:15

Susaninha o melhor que tem a fazer é mesmo não ligar.
O meu marido viu comigo o programa, no fim disse-me : mais igual a ti não podia ser.
Sabe, tenho 50 anos e foi a única pessoa que em toda a minha vida conheci que pensa exactamente como eu. Até aquela coisa de misturar as cinzas, para a qual a minha filha está devidamente instruída no assunto.
Beijinho e mais uma vez...não está sozinha
Maria

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