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O "câncaro", essa doença malvada...

por lady magenta, em 02.12.12

 

 

 E os dias passam...

E não há dia nenhum, em que pessoas me digam que temos de estar preparadas, que o fim está ao virar da esquina. No entanto, não se torna mais fácil. A impotência esmaga-nos com tal força, que nem há palavras suficientes para definir o que sentimos...

Triste, dura e cruel realidade. Chegarmos a um hospital, para com tamanha e esmagadora realidade, sermos obrigados a assistir ao fim da vida de alguém...Sem nada podermos fazer, para que esse fim chegue pacifico.

Ontem espetaram uma faca no meu peito e deixaram-na ficar. Hoje a realidade foi tão esmagadoramente dura, que quando sai para a rua, vomitei-me toda.

A minha irmã chora, a minha sobrinha, a "princesa" do meu pai, demonstrou ser a menina de 9 anos, mais corajosa que conheço...Viu o avô naquele estado e não vacilou por um segundo...Cantou, contou histórias, falou para ele, completamente alheada da realidade. Ela ainda consegue ver, quem ele era, não quem ele se tornou...

...

Pessoas, esta vida está dura...Esta realidade não é a que queríamos, nem a que desejámos um dia...É a nossa realidade e, a de tantas outras famílias perdidas por aí...É a realidade com que temos de nos confrontar, mas nem por isso, se torna mais fácil viver esta vida...

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publicado às 21:14

O "câncaro", os outros e eu...

por lady magenta, em 30.06.12

 

 

O facto de, a cada vez que temos de entrar numa urgência hospitalar, nos dizerem que a partir de agora irá sempre ser decadente e cada vez pior, não facilita em absolutamente nada a situação...

Além de não facilitar, não ajuda nada, para quem sofre por atencipação e tem imaginação gráfica suficiente, ficar a partir dali, a imaginar cenários degradantes e sofridos.

A vida com a doença cancro é por demais irrealista...

A doença cancro é o inferno na terra...

...

(E não...Não me estava a referir ao meu pai, que continua cá a lutar...Mas sim ao pai do meu filho, para quem a batalha está cada vez pior...)

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publicado às 13:58

O "câncaro", o meu pai, eu e a Cris...

por lady magenta, em 04.06.12

 

 

Pois é...Cá continuamos a viver esta vida, e a acompanhar o estado terminal, de uma doença que além de ser ruim, só nos dá desgostos...Mas também nos obriga a ter outras perspectivas da vida...

 

A Cris é a namorada do Nelo.

O Nelo é um amigo "Vintage".

A Cris ficou hoje a saber que lhe saiu um "câncaro" da mama na rifa...

E eu deixo o repto...É moda ter cancro? Porque só acontecem destas coisas a pessoas boas? Ou também acontece a pessoas más, mas eu pelos vistos, não conheço pessoas más? Porque será que me parece, que a vida é também uma cabra sem sentimentos, e prega destas partidas a pessoas que me são próximas e queridas?

...

Pois...

As respostas andam por aí...Tenho a certeza.

Da mesma forma que tenho a certeza que a vida tem formas "misteriosas" de nos dar outras visões, outras perspectivas...Também sei que também isto há-de passar... Mas enquanto passa e não passa, mói...Desgasta e cansa.

Também sei que por mais que sejamos muitos a apoiar, seremos poucos para dar o apoio que eles precisam...

De uma coisa tenho a certeza.... Estarei cá, para o que der e vier...Nos bons e menos bons momentos...Porque como no casamento, também a amizade se alimenta de presenças e demonstrações afectuosas...

Este é o momento de mostrar ao Nelo e à Cris, que estarei cá para eles incondicionalmente...

Hoje já chorei...Muito. Porque chorar faz parte da vida, e chorar ajuda a limpar o que de menos bom nos consome...

Hoje já chorei pela Cris e pelo Nelo...

Preferia que tivessem sido lágrimas de alegria.

Mas também isto há-de passar...

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publicado às 15:09

O "câncaro", o meu pai, eu e, os outros...

por lady magenta, em 14.05.12

 

 

E isto de conviver com base diária, com um doente em fase terminal de uma doença da merda, é deveras desgastante...

Para nós, que a vivemos por fora, e para os doentes...Que lutam, batalham, numa querela tão desigual como a sua doença...

Não é fácil.

Ter de dar o comer à boca, fazer a higiene, mudar as fraldas, despejar os sacos das fístula, de alguém que nunca dependeu de absolutamente ninguém, para nada...

Não é fácil ver o nariz a pingar, as mãos a tremer tanto que já nem limpam o nariz, nem conseguem comer...É como ter mãos só por ter, a sua utilidade ficou reduzida a nada...

Os pé cada vez mais arrastados, o andar cada vez mais desengonçado, a voz cada dia mais sumida...

Os queixumes...A cada dia que passa são cada vez piores, "porque ainda estou vivo, porque ainda não morri, já só ando a dar trabalho, não ando aqui a fazer nada..."

Ter resposta para lhes dar, é como tentar discutir o sexo dos anjos...Rodeamos a questão mais de 1.000.000 de vezes, mas nunca chegamos a um consenso...

Ver a decadência, o declínio daquela pessoa que amamos desde que nos lembramos de ser gente...E sentir na pele o quanto é doloroso, desgastante, cruel...

Ninguém merece.

Hoje deu-me para aqui...Hoje já tive de abrir o chuveiro, para abafar o som do choro...

Hoje.

Mais um dia que passou numa luta que não deveria ser de ninguém.

No entanto fiquei um pouco mais esclarecida ao ler aqui os avanços que têm sido feitos na luta contra o cancro e,o que se espera conseguir num curto espaço de tempo..

Para os que irão perder a batalha, já não vão a tempo...Para os outros espero que sim...

 

 

 

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publicado às 20:26

O "câncaro", o meu pai e eu...

por lady magenta, em 03.05.12

Pois é...Há realmente conversas difíceis.

O meu pai tem grande dificuldade em dormir de noite. Já tentámos tudo, menos a marretada na testa...No entanto, ontem, imbuída que estava da minha veia "pseudo-psicologa", resolvi falar com ele e, tentar perceber o que o "apoquenta" (como se fosse uma grande novidade para mim...)

Ele tem terror da noite. Acha sempre que se adormecer já não acorda...

É possível pai, não te vou mentir...No entanto se isso acontecer, sabe que ficaremos bem...Tristes por teres de partir de uma forma tão horrível...Mas fica sabendo que tens uma família que te ama e, não és só tu que sofres com tudo o que se está a passar...Não foste o pai perfeito, mas foste o pai possível, o pai que tentou dar o seu melhor, dentro das suas limitações enquanto Ser humano...Também não tiveste as filhas perfeitas nem uma vida extraordinária, mas vais-nos deixar com um vazio imenso quando chegar a tua hora...Tens quatro netos maravilhosos que te idolatram, a quem, por parte da educação que nos destes, permitirão continuar a viver segundo o teu legado...Honra, respeito, humildade, coisas que para muitos poderão parecer insignificantes, mas que fazem de nós as mulheres, tuas filhas, que somos...A uma deixas-te a garra e coragem e, o "bicho" da cultura e do conhecimento. À outra deixas-te a sensibilidade incondicional ...Como vês o teu legado é grandioso...É o que tentamos passar aos nosso filhos, teus netos e, olha que nem temos feito um mau trabalho...Não tivemos uma vida fácil, mas fomos felizes dentro das condicionantes que se atravessaram no nosso caminho...Duma forma ou de outra, sempre soubemos e conseguimos, enfrentar os obstáculos que nos deitaram abaixo...Este está a ser mais complicado...Tu vais partir. Duma forma inevitável e horrível...Não tens de te preocupar com a mãe, porque ela vai estar protegida por todos...Vais partir pai e, é tão injusto...Não tenhas medo de dormir, porque sabes que mais dia menos dia, mais hora menos hora vai acontecer...Quer seja de noite ou de dia...O que importa pai, é que não vais partir sozinho. Nós vamos estar do teu lado...

E foi mais ou menos isto...E de maneiras que é assim...Esta doença é uma grande merda...E ter de assistir a isto é tão mau, que tudo o que pudesse escrever seria pouco...

Ai se eu pudesse fugir... 

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publicado às 10:57

Ai a minha vida...

por lady magenta, em 27.04.12

 

 

E eu queria vir aqui postar coisas interessantes e tal, e inspiradas e tal, mas na realidade este buraco que tenho no peito não me deixa...

Desde o dia 6 de Setembro que me abriram este fosso sem fim, e nada de bom tem advido do mesmo...

A cabeça a mil, a vida a um milhão.

As coisa irrisórias que me passam ao lado, as coisas a que tenho de dar importância mas que não me apetece.

Queria fugir, mas estou colada ao chão. Queria falar, mas nem sei por onde começar...

Gostava de escrever, mas só me sai, literalmente, merda dos dedos.

Já pensei que seria melhor ir consultar um médico e voltar às velhas drogas, alguém me alertou que era melhor não. Um daqueles "vintage friends", que está atento e sabe o que diz...As drogas funcionam, e depois como será? Os problemas, as dores não desaparecem miraculosamente... Irá continuar tudo exactamente como estava até aqui. Portanto ideia posta de parte.

A busca pela mudança continua...Mudança de atitude perante as adversidades...Com muita ajuda, se querem que lhes seja sincera...Até os meus colegas mais desatentos, reparam que o meu estado, que nunca é o normal, agora descambou mesmo...Que é difícil, complicado e tortuoso, acho que já deixei claro, em quase todos os posts que coloquei a falar sobre a doença do meu pai...Malditas doenças. 

Morrer de cancro, é como ditarem-nos a sentença para amanhã, mas ficarmos presos num redemoinho, que todos os dias retorna ao inicio...Sabemos que vamos morrer, que não se pode fazer nada, que a qualidade de vida é praticamente nula, mas ainda não é hoje...Talvez daqui a nada, daqui por umas horas, se calhar amanhã, quem sabe para a semana...Acompanhar isto, é...É o que é. A impotência, a angústia, a revolta...É lidar com o luto precoce, com a dor da perda, com a raiva e frustração, que depois, quando a embalagem já não é suficiente, transborda para todos os sentidos da nossa vida, o que ainda a torna mais complicada...

Phuta de vida esta minha.

Eu quero queixar-me, eu gostava de saber extriorizar isto, partir as fuças a alguém, pegar num taco de baseball e desatar a partir vidros...Mas não adianta.

Se tenho de aguentar, que me aguente...Só não sei como o hei-de fazer, nem até que ponto o conseguirei.

Acho que chego à conclusão que afinal, além de não ser de ferro, também não sou a super-mulher...

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publicado às 18:49

O "câncaro", o meu pai, eu e as outras pessoas com "câncaros"...

por lady magenta, em 20.04.12

Lisbon at Night 

(imagem retirada da net)

 

 

Lisboa à noite é fabulosa...

Longe do bulício, dos barulhos, pessoas, caos automóvel e cheiros...

As urgências hospitalares são assim, pela madrugada...Ou quase.

Calmas, sem stresses...Com um sossego informal, interrompido apenas pelos gemidos e queixumes dos que lhe recorrem...

Para variar, ontem mais uma metade de noite e metade da madrugada passadas em S. José...Escolhemos a dedo, pois sabíamos que a equipa que segue o meu pai estaria lá.

A calma era relativa.

No S.O. Apenas os casos mais pertinentes. A.V.C'S, suspeita de tuberculose, cólicas renais, enxaquecas...E o meu pai e outro companheiro com um maldito “câncaro”...Revi-me na história daquela família. No seu desespero. No impacto que a noticia lhes trouxe...Na sua revolta e impotência.

Desejei-lhes o melhor possível e que de preferência, tivessem a sorte de lhes calhar na “rifa” a equipa do meu pai. As minhas preces foram ouvidas...Ao menos tenho a certeza de que aquele Sr. E família, irão estar em “mãos” competentes e humanas...

O meu pai voltou a casa.

Para variar, sentado do meu lado e atento à minha aselhice ao volante, àquela hora, nada de extraordinário para mais tarde recordar.

Ao chegar a casa, e ainda no elevador, discutiamos quem seria o primeiro a chegar ao W.C.!

O meu pai alegou logo a sua condição de doente para ter prioridade, eu contrapus e resolvi que ele, ao usar fralda, não tem direito a prioridade, sendo eu a mais nova iria eu primeiro...A porta de casa abre-se e a minha mãe corre a ser a primeira...Lá fiquei eu mais uma vez, a reclamar a minha condição de “bexiga-cheia-de-xixi” mas sem direito a prioridades!

E é assim, que se vive esta vida com o “câncaro” do meu pai...

Uns dias a rir, outros a fazer um esforço para aguentar as lágrimas...A pedir que tudo acabe rápido. A implorar aos amigos que me roubem sorrisos, que me desliguem a ficha, que me provoquem amnésia...A tentar olhar para o lado bom de tudo...

Mas com o coração tão apertadinho e os olhos tão marejados de lágrimas, que só me apetece não viver mais esta vida e fugir...

Tenho dias em que rastejo pela vida, outros em que a passo de joelhos...

Hoje é um desses dias.

Preciso de rir, para disfarçar o quanto me apetece desfazer em lágrimas.

...

E agora uma adenda muito disparatada...

É impressão minha, ou existem mesmo pessoas que acham que colocar base 3 ou 4 tons acima do tom normal das suas peles, lhes dá um ar mais bronzeado?

É que na minha humilde opinião, além de parecerem cenouras com cabelos e olhos, lhes dá um ar assim, para o carnavalesco!

Mas lá está, eu sou uma cabra sem sentimentos, mas isto das bases está para mim, como as pessoas que vão ao xixi e não lavam as mãos, ou como as pessoas que ao irem ao xixi, deixam o tampo da sanita pingado...

(oK...Isto hoje é mesmo a falta de sono de qualidade...)

 

 

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publicado às 20:55

O "câncaro", o meu pai e eu...

por lady magenta, em 01.02.12

(imagem retirada da net)

 

Não...A esperança já não mora aqui.

...

Dia de mais uma consulta de oncologia. Dia em que a Dra. me pegou no braço e me fez deixar-te sair da sala para me dizer, que do ponto de vista clínico, não se pode fazer mais nada, a não ser controlar os sintomas e deixar a natureza seguir o seu caminho, ou seja, deixar-te partir pai...

Não, não estou preparada, mesmo sabendo que vais morrer. O guerreiro que há em ti, não é suficientemente forte para combater esse cabrão desse cancro fulminante que te devora todos os dias...

E não, não estou preparada para te ver morrer. Acho que nenhum filho que se preze está.

Não devia ser assim pai. Tu devias morrer, mas velhinho e sem doenças tão escabrosas... Ver-te definhar a cada minuto que passa é muito mais doloroso, do que encontrar-te morto devido a um ataque fulminante do que quer que seja...

Queria dizer que sim a tudo, que estou preparada para isto, que tem sido doloroso mas fácil acompanhar o teu dia-a-dia, que deixar-te morrer não custa nada.

Custa. Muito.

Hoje supliquei a uma amiga que não me deixe só quando partires. Expliquei-lhe o que a Dra. me disse e, ela que é sempre tão animadora e optimista, só me disse que não me preocupa-se, jamais sairia do meu lado...

A única coisa que ainda me atrevo a pedir pai, é que faças o favor, de quando tiveres de partir, seja em paz e que de preferência, eu não esteja por perto...

Já é muito mais que mau, ver-te assim portanto se não for de um grande incómodo, que não te atrevas a morrer comigo do teu lado! Já basta o trauma de te ver pele e osso, amarelo, magro quase cadavérico...Não me faças isso pai...

Não peço a Deus, porque não acredito na sua existência...Se ele existisse, de certeza que não existiria uma forma de morrer tão horrenda.

A minha opinião vale, pelo que vale...Mas acredito que para morrer, não é preciso sofrer tanto...

Ai pai...Não imagino a minha vida sem ti, mas também não te imagino a sofrer muito mais...

Segundo a Dra. o fim aproxima-se a passos largos.

Só podemos esperar que seja breve e indolor.

...

E ficamos aqui, como espectadores anónimos enquanto definhas para um mal tão asqueroso...

Nenhum guerreiro aguenta uma tão dura batalha, mas enquanto lutares estarei do teu lado incondicionalmente...

Mais um dia pai e um dia de cada vez...

 

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publicado às 19:43

o "câncaro", o meu pai e eu...#13 dia 39

por lady magenta, em 13.10.11

(imagem retirada da net)

 

 

E esta noite dormis-te assim...Teve de ser. As malvadas dores que não te largam, obrigaram-te a curvares-te sobre ti para conseguires sossegar...Contaste-me com lágrimas nos olhos e, eu do alto do meu pedestal, só te respondi que é melhor dormir assim do que não dormir de todo...Fui estúpida eu sei, mas se te dissesse o que sinto pai...Ai pai...Porquê? Porquê tu? Porquê assim...Tantos porquês que vão ficar sem resposta...E depois ainda tenho de ouvir certas bestas dizer para não sofrer por antecipação! A vontade que tive foi de escrever, ou telefonar e dizer assim, umas coisinhas bem típicas da minha pessoa, dentro do género "dark-bairro-shunga"...Enfim...Sabes pai, queria poder gritar com esse malvado cancro, afuguentá-lo, mandá-lo à merda quem sabe...Podia ser que se me desse uma daquelas minhas características fúrias ele fugisse...Quem me dera ter com quem me revoltar. Revoltar com quem? Para quê?... Eram dois trabalhos, revoltar-me e "desrevoltar-me"! Enfim pai... Ao menos hoje quebrámos as regras, fugimos à dieta imposta e comes-te açorda e carapaus fritos...Dizem que é comer de pobre, olha ainda bem! Soube-te "pela vida" e a mim fez-me bem, ter um momento de aparente normalidade...Aparências...Neste momento é o que me resta.

Sabes pai, um dia que leias tudo o que escrevi, sei que te vais orgulhar ainda mais do que te orgulhas de mim...Afinal eu fui a proscrita, a drogada, a ladra, a leviana...Fui isso tudo e mais... Tanto que lutei até te mostrar que afinal renasci das cinzas...Que a ideia que tinhas era errada.

Sim pai, há palavras e conversas que não precisamos de ter...Os nossos olhares dizem tudo.

Hoje vi que tens medo...E tu viste que eu também...

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publicado às 22:40

o "câncaro", o meu pai e eu #7- dia 17

por lady magenta, em 23.09.11

(imagem retirada da net)

 

 

É certo e sabido que não sou, de todo, certa do juízo. Ultimamente, pela força das circunstâncias, estou bem pior... Oiço as palavras dos outros, vejo os trejeitos faciais, mas não absorvo a informação. Não dá jeito...Nenhum. Por outro lado, tenho uma horda de amiguinhos imaginários, com os quais tenho mantido acesas discussões, nos últimos dias...

Durante alguns momentos desta tarde, passeei o envelope fechado que continha o tão esperado relatório. O parto foi difícil, mas o dito foi parido.

Ele passeou comigo de carro no centro de Lisboa, de cinto posto e no lugar do pendura. Fumámos o cigarro da ordem, ouvimos música alta, fizemos gestos obscenos aos pseudo-condutores profissionais e, esperámos. Esperámos que a coragem tomasse conta de nós e, se apossa-se dele com vontade suficiente para encarar a realidade. A angústia apoderou-se quando percebi que deveria ter seguido a carreira de radiologista...Não percebi ABSOLUTAMENTE NADA do que dizia...Não era para perceber. Telefonei ao médico, li-lhe o relatório. O diagnóstico mantém-se.

Durante o dia, por alguns momentos, idealizei milagres, enganos, pedidos sofridos de desculpas...Em milagres não acredito, em enganos por profissionais competentes também não, pedidos de desculpa evitam-se...Enfim... Podia ter passeado com o dito envelope e o desfecho ter sido diferente. Não foi...Segunda feira começa nova batalha, em novo hospital com profissionais tão competentes quanto os outros. Hoje dormi, tomei banho (finalmente!) e comi em condições...Talvez à espera que me fosse contrariada a tendência céptica... Hoje esperei por um milagre. Não aconteceu.  

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publicado às 18:57


Porque nem tudo o que luz é ouro e nem tudo o que brilha é prata...

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