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Porque nem tudo o que luz é ouro e nem tudo o que brilha é prata...
E apesar, de tudo o que se passa nesta minha vida atribulada, deixo-vos uma citção do queridissimo "tio" Miguel Torga...Já naquele tempo, ele sabia tão bem o que escrevia, como o que dizia...
"É um fenómeno curioso:
O país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto.
Falta-lhe o romantismo cívico da agressão.
Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados...."
Miguel Torga, Diário (17-09-1961)
Ou este país não é, definitivamente, para todos...(Outro bom título para este post.)
E cá andamos nesta vida de doenças oncológicas, menos boas e felizes.
O meu pai na mesma, o pai do meu filho mais crescido, cada vez pior...
E ser-se doente oncológico neste país não é para todos... Os apoios são os possíveis, os acompanhamentos também.
Se no início tudo nos pareceu tão bem estruturado, com o passar do tempo o véu levantou e, afinal, como quase tudo neste país, as coisas ou tardam ou acabam por não acontecer.
O apoio domiciliário é nulo, perdão, nulo para quem o não pode pagar. Basta apenas ser-se proprietário de um imóvel, mas ter-se porém uma miserável reforma, e tudo se complica e os custos agravam. O apoio psicológico é à míngua. Existe é um facto, e a psicóloga que nos foi "atribuída" pelos serviços de cuidados paliativos, é prestável e tem dedicado o seu precioso tempo e ajuda, com a nossa família, e a de mais trezentos doentes...Sim leram bem. Trezentos doentes e respectivas familías, atribuídos a uma equipa pluridisciplinar de apenas seis pessoas...Duas médicas especialistas, uma assistente social, uma psicóloga e dois enfermeiros...Toda a ajuda prestada por estes profissionais tem sido louvável, no entanto, na grande maioria das vezes, ficam soterrados pela famigerada burocracia...É o país que temos, mais uma vez. A culpa não é das pessoas, profissionais de saúde, a culpa é de quem burocratiza e impõe as mais descabidas regras de conduta...Como se não bastasse, não existem vagas em locais de acolhimento para doentes terminais, ou melhor existir, existem, na maioria das vezes a vaga já não chega em tempo útil...Depois temos os apoios, como o subsidio para dependentes...Subsidio este, dependente de um documento confidencial a ser preenchido pelo responsável da equipa médica que trata o doente oncológico em fase terminal, e que, como se pode prever, explica a história clínica do doente, bem como a razão da solicitação de tal subsidio...Estaria tudo muito bem, se os competentes serviços, não resolvessem solicitar uma "junta médica", para avaliar o doente em causa...Tudo bem, acredito que pelos pecados de uns tantos, paguem outros...Mas será mesmo necessário pagar dois transportes de ambulância, quando um documento oficial atesta o estado de saúde de um paciente? Será mesmo imprescindível a deslocação de um doente moribundo a uma junta médica, e ter de o sujeitar a tudo o que isso implica, para recebermos uns miseráveis 90 €?
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Agora meus amigos a mim cabe-me dizer de minha justiça, acredito que num país pequenino, com gente pequenina, que pensa pequenino, seja obrigatório proceder assim...Seja de igual modo obrigatório desconfiar de tudo e todos, e passar a vida a olhar por cima do ombro, e mais vos digo, concordo e subscrevo plenamente a opinião dada pelo Sr. Bispo Dom Januário Torgal Ferreira, quando diz que o Governo é corrupto...O problema não é de agora, é longo e atrasado no tempo, mas que este governo em nada parece melhorar a já periclitante situação de um país caquéctico, é verdade... O buraco foi aberto, empurraram-nos, agora é só tapar a cova...
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Mas que poucos, com o pouco que têm e podem, ainda fazem muito...A esses poucos Obrigados não chegam, vénias não bastam, apenas e só toda a consideração e que continuem nesta vã batalha por um país melhor...
(Ai quem me dera que a padeira de Aljubarrota se levantasse da tumba!!!!)
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